Teria sido a política externa da Era Lula um fracasso?


Existe um “consenso” entre alguns analistas internacionais de que a política externa levada a cabo durante os últimos oito anos pelo governo Lula foi “recheada” de gigantescos erros.  O principal “erro” teria sido o “apoio” ao polêmico governo iraniano, pródigo em declarações de efeito sensacionalista:  “Não houve Holocausto!”…

Na realidade o grande “erro” do governo brasileiro foi ter transformado o Brasil em um “protagonista” global. Ter priorizado a relação Sul-Sul, por exemplo, foi lamentável. Deveríamos ter continuado “colados” com os países do Norte (uma política externa externa Sul-Norte) para hoje padecermos dos mesmos problemas que os afligem. Não é justo termos passados pela maior crise do capitalismo desde 1929 sofrendo apenas uma “marolinha”.

No tocante ao “apoio” do Brasil à ditadura iraniana nossa posição – para os críticos – deveria ter sido de “repugnância” total: nada de conversas, visitas etc. Contudo, a história nos mostra que a mesma preocupação com os Direitos Humanos é cíclica, muda de acordo com o momento. Por quê? Muito simples. A mesma comunidade internacional que “reclamou” da visita de Lula ao Irã, nunca se revoltou contra a barbárie de Abu Ghrabi. Coloque (se você não aguenta imagens fortes não faça isso) a palavra “Abu Ghrabi” no Goolge e depois clique para ver as imagens. É repugnante. Imagens dignas de um enredo nazista. Contudo, tais imagens não provocam nos (nossos) defensores dos Direitos Humanos a mesma indignação contra os EUA.

Em um exercício simplório de lógica formal, segundo nossos descontentes, deveríamos romper relações diplomáticas com os EUA. Ou a superpotência tem o direito de cometer atrocidades? Por que os EUA não rompem relações diplomáticas com a China, campeã na violação dos Direitos Humanos? Por que a imprensa norte-americana não obrigou a Casa Branca a isso? A resposta é singela: dinheiro. O que importa é o dinheiro e nada mais. Se o Irã fosse fosse um aliado incondicional dos EUA (como o foi nos tempos do xá Reza Palevhi, cuja polícia torturava com tranquilidade), prender ou matar seria um mero detalhe. Aliás, como foi durante o período das ditaduras na América Latina.

De antemão aviso: não concordo com o modus operandi do regime dos aiatolás, pelo contrário. Mas não compactuo com a hipocrisia e acredito que  o isolamento total do Irã com um programa nuclear já desenvolvido é uma temeridade. É fundamental ter um canal de comunicação. E por que não o Brasil? Está longe? Colaboramos para a criação do Estado de Israel em 1948 e ninguém apontou que éramos presunçosos.

O mais lamentável é a utilização – sem critério algum – de um conceito tão importante como os Direitos Humanos.  Que alguns especialistas neoconservadores destilem tais opiniões é normal, pois não aceitam que tenhamos mudado o “axioma periférico” de nossa posição no cenário internacional. Agora, a  grande mídia aceitá-la sem o menor critério e/ou sem permitir uma explicação dos nossos diplomatas sem classificá-los como “lunáticos” é muito triste.

Sem dúvida nenhuma existem coisas que devam ser mudadas e trabalhadas no cenário doméstico continental, principalmente em nossas relações com os coirmãos latino-americanos. O imbróglio entre uruguaios e argentinos no caso da papelera, é um importante exemplo. Mas, acredito que estamos seguindo no caminho do amadurecimento.

Mais importante do que a opinião de alguns saudosos do nosso “complexo periférico”, é o reconhecimento international. Isso ninguém nunca apagará.

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