1968/2011: 43 anos depois, a “rebelião” tem outro motivo

Toda a celeuma provocada pelos usuários de drogas na  USP, reflete uma questão importante para a nossa sociedade. Alguns membros da elite econômica e financeira estão preocupados somente com a satisfação de seus interesses hedonistas do que com os grandes problemas do país.

O mais importante para alguns estudantes (e de outras pessoas) é usar o seu “sagrado direito” de fugir da realidade através do entorpecimento. Sem dúvida alguma é um direito pessoal, contanto que não gere problemas para os que não usam e não promova (como promove) o circuito do crime e suas consquências nefastas.

A “confusão” foi originada pela prisão usuários de drogas por parte da Polícia Militar que passou a atuar no campus da USP após o assassinato de um estudante no primeiro semestre  e depois de inúmeros assaltos. As reclamações dos alunos, funcionários e professores eram justamente a falta de segurança. Daí a presença mais ostensiva da Polícia.

Como ocorreu a repressão ao uso de entorpecentes, a polícia virou “inimiga” dos usuários.  Às favas os assaltos, assasinatos etc. Se a polícia vai “reprimir” o “barato da galera”, “estamos fora”. Aviso que não “morro de amores” pela PM que, enquanto instituição, está falida.

Após o “bombardeio” da imprensa “conservadora” e da avaliação de que  “pegou mal”  a “revolta estudantil” contra a PM,  os estudantes apresentaram os “verdadeiros motivos” – segundo eles – do “Movimento”: o “Reitor não presta”, a “USP é uma ditadura”, o “governador é um tirano” etc. Até aí tudo bem. Mas porque esses “motivos” só viraram “ordem do dia” após a PM  ter acabado com  a “viagem da galera”? Por que a Reitoria não foi invadida antes? Por que toda a “energia revolucionária” não foi utilizada anteriormente? Precisamos de respostas. Aliás, já as temos.

Me desculpem,  mas o “bonde da história” foi perdido nesse momento.

Maldita droga…

“Nem”, “Neném”, “Baby” etc.: enxugando gelo

Desde pequeno escuto “comemorações” com as prisões de “chefões” do tráfico. Contudo, após cada prisão surgem outros “líderes”cada vez piores. E o pior de tudo: eles continuam a comandar os seus “negócios” de dentro das penitenciárias.

O tal “Nem” só existe  em função dos seus “clientes/sócios”. Em busca do hedonismo egoísta eles colocam  os recursos para a ciranda do tráfico continuar a existir.

A verdadeira discussão é: só há venda porque há compra. Mas esta afirmativa soa totalmente fora de propósito para os “sócios do tráfico”. Para eles não existe isso. Eles compram o seu pozinho e só. É mais ou menos o discurso do “Senhor das Armas”. Na história, o russo (traficante de armas) se exime de qualquer culpa ao dizer que só vende armas. Ele “não obriga ninguém” a comprar armas. Compra quem quer. Com esse raciocínio raso é permitido tudo.

É só aguardarmos uma ou duas semanas para um novo bandidão ser o novo “mais procurado pela polícia”. Aos “usuários” nada muda: o pozinho continuará a ser vendido.

Barbárie 2 X 0 Civilização. Somos tão diferentes dos ditadores?

O romance de Ernest Hemingway chamado “Por quem os sinos dobram” é um dos livros (“Master of Piece”) mais interessantes do autor norte-americano. Virou até filme. Em um dos capítulos do livro que se passa durante a Guerra Civil Espanhola,  Robert Jordan, o “mocinho”, escuta de uma “camarada” republicana a história da invasão de uma cidade dominada pelo fascistas (adeptos do Gal. Franco).

Conta a “Camarada” a Robert Jordan que durante a invasão republicana à cidade, todos os fascistas foram aprisionados em uma Igreja e “condenados” à morte. Sem julgamento, sem nada.  A execução não ocorreria através de fuzilamento, mas sim através de um linchamento (“corredor polonês”) cujo fim seria um penhasco. Toda cidade participaria.

Todos os condenados (fascistas) após as sevícias seriam jogados de um penhasco, vivos ou não. Quem fez isso? Os republicanos, a “esquerda”. Apesar de ser um romance, Hemingway foi  reamente correspondente jornalístico durante a Guerra Civil Espanhola. Seus biógrafos apontam que muitos dos seus livros retrataram suas experiências reais. Mas o que nos interessa são as “bases filosóficas” do capítulo assinalado.

 

A “desculpa” para esse tratamento bestial era que os fascistas faziam o mesmo com os prisioneiros republicanos ou simpatizantes.  Mas pensando de maneira lógica, ao utilizarem tal expediente eles não se igualavam aos fascistas? Qual seria a diferença entre os republicanos e os franquistas?

 

O assasinato de Khadaffi me fez lembrar este capítulo de Hemingway. Os “rebeldes” que começaram a fazer os seus atos de banditismo ao melhor estilo “coronel Khadaffi” (já existem várias denúncias contra os “defensores da liberdade” rebeldes), não se preocuparam em marcar a diferença entre o ditador e eles. Atuaram de maneira igual. Tornaram-se  iguais ao antigo ditador.

O ocidente cristão que de “cristão” não tem absoluta nada, “saudou” a morte de Khadaffi em lamentáveis condições como se eles mesmos não o tivessem apoiado e patrocinado durante os últimos 40 anos. Repito: reproduzir o modus operandi das ditaduras não nos faz diferentes delas, mas iguais.

 

Por que Osama Bin Laden e Khadaffi não puderam responder pelos seus crimes? Os nazistas que provocaram  muito mais danos ao mundo foram julgados. Como defensor da Civilização (com c maiúsculo) não podemos cair na armadilha do famigerado e bárbaro “olho por olho, dente por dente”. De que adiantou os ensinamentos de Cristo? Não há necessariamente um aspecto religioso em defendermos a Solidariedade, o Humanismo e o respeito à Civilização. Trata-se da evolução da sociedade.

Para  que então o Direito Internacional, o Tribunal Penal Internacional, a ONU  etc.? Para que isso? Para agirmos como pistoleiros, bandidos  contra os criminosos que já estão enquadrados na Lei? E  países como França e EUA, por exemplo, cinicamente saudarem a “volta da democracia” sem questionar a instalação de uma nova quadrilha em Trípoli?

Certo está o Brasil em  não “vibrar” com algo abjeto. Apoiar tais atos é desrespeitar os Direitos Humanos. Quem defende a Civilização e os seus mecanismos de controle da barbárie, não pode concordar com isso. Eu, particularmente não quero ser parecido com os ditadores. Por isso não apoio tais atos.

Aos criminosos, o julgamento. Aos cínicos e demagogos, a mácula em sua história.

“Investidores” ou “Saqueadores Globais”?

Foi-se o tempo em que o Capitalismo era construído com o “trabalho” de abnegados self-made men. Era o início do século XX e a riqueza era feita através de grande empresas que contratavam dezenas, milhares de trabalhadores. Não vamos entrar no mérito da remuneração quase escrava ou das péssimas condições de trabalho. O fato era que o sistema era movido pela produção, pelas instalações físicas de fábricas etc.

Em 1929 a ganância dos especuladores que viram a oportunidade de ganhar dinheiro fácil deu o seu primeiro sinal. O Tio Sam foi à lona, mas com a ajuda de Keynes e da Segunda Guerra Mundial, os EUA voltaram ao topo do mundo. O pós-guerra colocaram os EUA com a potência ocidental, ao mesmo tempo em que a URSS controlava o Oriente.

No final do século XX, o mundo foi “unificado” e a voracidade dos Saqueadores Globais que carinhosamente são chamados pela “mídia democrática ocidental” de “investidores”, ganhou padrão astronômico.

 

Sempre me perguntei se trabalhar enriquece alguém. Trabalho enriquece? Você meu caro leitor, conhece alguém chegou aos milhões trabalhando? Colocando a mão na massa? Segundo o ditado popular, “Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro”. Acredito nisso.

Esse “prólogo” é para demonstrar a situação de crise em que vive o mundo. Ao contrário dos anos 1980, quando os países mais pobres sempre eram a “bola da vez”, hoje, a situação é diferente.

Quem caminha para miséria são as nações europeias. Ao mesmo tempo os “investidores”, pessoas “virtuais” que acumulam bilhões de dólares ou euros, ditam quem vai viver ou vai morrer. Ou seja: uma dezena de pessoas bilhonárias se recusam a perder alguns milhões e promovem uma verdadeira chacina social contra milhões de pessoas.

Os “investidores” que ganharam bilhões de euros durante décadas, não querem contribuir (perder) neste momento de crise. Que sejam ocupados Wall Street, Madrid, Atenas, Londres etc. Chegou a hora desses senhores começarem a trabalhar… colocar a mão na massa.

Se nós acordamos cedo para trabalhar, porque eles não podem fazer o mesmo agora? Vão trabalhar vagabundos!

Enganação até quando? A Grécia está falida!

A  alta volatilidade da economia internacional nos últimos dias reflete simplesmente o mais óbvio dos fatos: a Grécia está quebrada. Não há possibilidade alguma da Grécia conseguir sanar suas “dívidas” sob os atuais moldes propostos pelos “investidores”, as verdadeiras aves de rapinas.

Como já venho defendendo de maneira lógica -  aliás qualquer um que saiba as quatro operações também sabe disso – não existe fórmula financeira para impedir a terra de Sócrates de sucumbir à sua maior crise econômica desde o séc. V a.C.

O que estão propondo (FMI) e o governo subserviente está aceitando, é simplesmente o colapso econômico do país. Sem salários, mais impostos e mais cortes, os gregos não terão como sobreviver. É simplesmente suicídio.  Atenas prefere a saúde financeira de uma dezena de “investidores” (estrangeiros) do que  salvar a pele dos seus 11 milhões de habitantes.

Apesar da miséria de milhares ou milhões de gregos, os “investidores” perderão de qualquer jeito o que mais amam, mais do que as suas próprias vidas: milhões, bilhões de euros serão pulverizados…. É questão de tempo.


Entrevista Globo News 10/09

Edição do dia 10/09/2011

10/09/2011 11h36 – Atualizado em 10/09/2011 11h36

http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2011/09/imposicao-de-padrao-civilizatorio-para-o-oriente-medio-deu-origem-aos-atentados-diz-historiador.html

“Imposição de padrão civilizatório para o Oriente Médio deu origem aos atentados”, diz historiador

O diretor do Centro de Estudos em Geopolítica e Relações Internacionais, Charles Penaforte, defende que os atentados do 11/9 foram frutos da política externa norte-americana.

“O dia em que a terra parou”. O título é de um filme, mas define com exatidão o que aconteceu na data que ficou marcada a ferro e fogo na memória coletiva: 11 de setembro de 2001. De uma forma ou de outra, milhões de pessoas, nos quatro cantos do planeta, pararam o que estavam fazendo para testemunhar, ao vivo e pela TV, o maior atentado terrorista da história da humanidade.

O diretor do Centro de Estudos em Geopolítica e Relações Internacionais, Charles Penaforte, esteve no Jornal Globo News e lembrou que o investimento feito por Bush no combate ao terror gerou o grande déficit e a crise econômica enfrentada pelo país. Charles defende que os atentados foram frutos da política externa norte-americana, de impor um padrão civilizatório para o Oriente Médio de uma maneira muito agressiva, e do apoio indiscriminado a Israel, deixando de lado os interesses dos palestinos. Para Charles Penaforte, tudo isso deu munição para os grupos fundamentalistas existirem. Ele explicou ainda que Bin Laden faz parte do contexto da Guerra Fria, da ocupação da União Soviética e do Afeganistão: “Tudo é ação e reação. Não existe só o vilão. O atentado foi uma barbaridade. Mas a gente deveria refletir o porquê disso ter ocorrido”.

O brigadeiro Pompeu Brasil, comandante do Cindacta I, lembrou que a segurança nos vôos e aeroportos mudou significativamente depois dos atentados, tornando-se muito mais rigorosa.

Para a entrevista na Globo News no Jornal das 10h, clique aqui.

Líbia: o cinismo ocidental

A divulgação de documentos comprovando a estreita cooperação entre o governo de Kadhafi, a CIA e o serviço secreto britânico, demonstram o  alto nível patológico de cinismo do ocidente.

Já salientamos que até o início do ano Muammar Kadhafi era mais um governante com boas relações com o ocidente. Gente boa. A chamada “primavera árabe”  ativou a oposição ao status quo regional e provocou a queda de alguns governos árabes.

Há mais de quarenta anos no poder Kadhafi entrou no cardápio das mudanças que estavam ocorrendo. Apesar de taxado de “sanguinário” e desrespeitar os sagrados direitos humanos, o tapete vermelho sempre era colocado para o líder líbio em suas visitas ao redor do mundo.

Observe as duas fotos. A foto acima é de Kadhafi e Berlusconi, primeiro-minstro italiano. Abaixo, você está vendo o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Ele parece estar muito feliz …

Com os documentos vindo à tona, eu gostaria de perguntar aos “defensores” dos direitos humanos e dos grandes valores da civilização ocidental: como é possível a CIA (orgão dos EUA) ter cooperado com Kadhafi e enviado “suspeitos” para serem torturados pelo sanguinário líder? E os Direitos Humanos?

São palavras, nada mais que palavras. Ninguém está preocupado com “detalhes”. Gostaria de saber a opinião dos analistas sobre tal relação. E a nossa mídia? Será tão “crítica” contra os EUA e Reino Unido? Ou eles podem torturar, matar etc.? É repugnante.

Quem é o vilão? Kadhafi? Um boa pergunta que já tem resposta.

Atenas, Madri, Londres… A revolta das ruas.

A imprensa internacional (ocidental) promove mais uma vez a desinformação em grande escala. Ao melhor estilo soviético, os Donos da Verdade analisam as revoltas que vêm sacudindo a Europa como algo totalmente “descolado” da picaretagem financeira que explodiu nos EUA e levou o Velho Mundo à lona.

O caso britânico é interessante porque os “vândalos” resolveram fazer um estrago concreto. A baderna promovida  não deve ser analisada somente como  “vandalismo”. O “vandalismo” está associado ao status quo atual na Grã-Bretanha, ou seja: o arrocho econômico promovido pelo governo na área social.

Os drásticos cortes sociais são pano de fundo para a explosão. A morte de Mark Duggan foi somente o estopim do processo. Os economistas e o “Mercado” promovem a cantilena de que só cortando gastos é que o capitlaismo sairá de mais uma  de suas crises. É possível cortar o que não se tem? Há lógica em jogar milhões de pessoas em condições de miserabilidade ainda maior? É justo que que alguns vagabundos (não trabalham) que utilizam terno e gravata valham mais do que milhões de seres humanos?

Sim, porque a grande questão oculta é essa: estão salvando o rico dinheirinho de meia dúzia de pessoas  às custas de países inteiros. Exemplo? A Grécia. Volto a afirmar que a Lógica, a Matemática e o bom-senso estão sendo aniquilados da maneira impressionante.

A crise que começou em 2008 não tem como culpada a população, mas sim alguns  “investidores” que fomentaram  a especulação e governantes que fazem parte do cassino global. Não seria interessante a “imprensa livre” apontar as verdadeiras origens da crise e realmente apontar os culpados?

E a brincadeira acabou…

Depois de quase um mês de brincadeiras por parte dos senadores republicanos foi finalmente aprovado o aumento do teto da dívida norte-americana. Sem dúvida alguma, o maior derrotado foi Barack Obama. Praticamente os republicanos emplacaram tudo o que  ele desejavam, principalmente o fim do aumento de impostos para os ricos cristãos dos EUA.

Barack Obama está sob fogo cerrado em virtude das eleições do ano que vem. Os republicanos não querem mais um mandato de um presidente democrata e negro. Isso é demais para para uma elite de um país tão cristão. Tal fato explica a artilharia pesada contra ele. Junto a esse fato, temos a letargia de sua liderança sob o ponto de vista econômico. Se Bin Laden não tivesse sido executado ao melhor estilo da CIA, Obama não teria um ponto positivo sequer. É pouco para um presidente que foi  colocado como a grande mudança do país.

So o ponto de vista econômico, os EUA estão no CTI e em coma. Não há como equacionar crescimento econômico com cortes no orçamento e muito menos sem aumento de impostos… para os ricos, é claro. Trata-se de pura matemática, lógica formal.

Mas, alguns cidadãos do Primeiro Mundo pensam o contrário. Não há solução de curto prazo para o colapso econômico dos EUA. A situação ficará pior, muito pior para os EUA.