{"id":781,"date":"2014-12-27T09:08:37","date_gmt":"2014-12-27T12:08:37","guid":{"rendered":"http:\/\/charlespennaforte.pro.br\/portal\/?p=781"},"modified":"2015-01-15T09:46:09","modified_gmt":"2015-01-15T12:46:09","slug":"a-perversao-em-freud-e-lacan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/?p=781","title":{"rendered":"A Pervers\u00e3o em Freud e Lacan*"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_eWp0xeCCQXU\/S5LU8vmOh1I\/AAAAAAAAADo\/MYSxTWComBs\/s320\/Pervers%C3%A3o.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"187\" \/><\/p>\n<p>O termo pervers\u00e3o tornou-se um conceito para a psican\u00e1lise a partir de 1896, quando Sigmund Freud o colocou ao lado da psicose e a neurose. Historicamente a pervers\u00e3o est\u00e1 em um campo bem amplo, pois engloba comportamento, pr\u00e1ticas e fantasias correlacionados \u00e0 norma social.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante a ser mencionado \u00e9 que a pervers\u00e3o tanto no Ocidente quanto no Oriente, sempre esteve baseada em m\u00faltiplas formas que variaram conforme as \u00e9pocas, culturas, costumes etc.<\/p>\n<p>Deste modo, a pervers\u00e3o est\u00e1 associada ao momento hist\u00f3rico e cultural de uma determinada sociedade. No Ocidente, por exemplo, a homossexualidade na Gr\u00e9cia Antiga era vista como algo natural. Com o advento do Cristianismo a pr\u00e1tica passou a ser considerada sat\u00e2nica e no s\u00e9culo XIX, como algo totalmente anormal para o ser humano.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, em 1974, a homossexualidade foi reconhecida como mais uma forma de sexualidade n\u00e3o figurando no terceiro Manual Diagn\u00f3stico Estat\u00edstico dos Dist\u00farbios Mentais (DSM III) editado em 1987, como parafilias.<\/p>\n<p>Para Freud inicialmente, a pervers\u00e3o (homossexualidade) apresentava\u00a0 uma ambival\u00eancia. Como salientam Roudinesco &amp; Plon<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>,<\/p>\n<p>(&#8230;) a \u201cdisposi\u00e7\u00e3o perverso-polimorfa\u201d ao homem em geral e, com isso, rejeita todas as defini\u00e7\u00f5es diferencialistas e n\u00e3o igualit\u00e1rias da classifica\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica do fim do s\u00e9culo, segundo a qual o perverso seria um \u201ctarado\u201d ou um \u201cdegenerado\u201d, por\u00e9m, por outro, ele conserva a ideia de norma e de um desvio em mat\u00e9ria de sexualidade. (&#8230;)<\/p>\n<p>Em 1905, no seu livro <em>Tr\u00eas Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade<\/em>, Freud utiliza o termo \u201cpervers\u00f5es sexuais\u201d e emprega mais frequ\u00eancia o termo \u201cinvers\u00f5es\u201d. Com o passar do tempo Freud iria mudar sua terminologia a partir de novas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Freud, a neurose seria o \u201cnegativo da pervers\u00e3o\u201d. Sendo assim, o pai da Psican\u00e1lise apontava para o car\u00e1ter selvagem, polimorfo e pulsional da sexualidade perversa.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da sexualidade neur\u00f3tica, a perversa n\u00e3o conhecia o recalque, o incesto e a sublima\u00e7\u00e3o. A falta de limites decorria em virtude do desvio em rela\u00e7\u00e3o a uma puls\u00e3o, uma fonte (\u00f3rg\u00e3o), objeto e alvo. A partir dessas constata\u00e7\u00f5es Freud distinguiu dois tipos de pervers\u00f5es: a de objeto e a de alvo.<\/p>\n<p>A partir de 1915, Freud\u00a0 reformulou sua observa\u00e7\u00f5es. Da descri\u00e7\u00e3o das pervers\u00f5es sexuais Freud passou para a organiza\u00e7\u00e3o como um modelo baseado clivagem.<\/p>\n<p>Assim,<\/p>\n<p>(&#8230;) \u201cAo lado da psicose, definida como a reconstru\u00e7\u00e3o de uma realidade alucinat\u00f3ria, e da neurose, resultante de um conflito interno seguido de recalque, a pervers\u00e3o aparece como uma renega\u00e7\u00e3o ou um desmentido da castra\u00e7\u00e3o, com uma fixa\u00e7\u00e3o na sexualidade infantil\u201d<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Jacques Lacan colocou a pervers\u00e3o com uma estrutura, retirando-a do campo do desvio. A abordagem lacaniana introduziu as no\u00e7\u00f5es de desejo e gozo. Deste modo, a pervers\u00e3o seria um componente inerente a psique do homem.<\/p>\n<p>Com tal perspectiva, a pervers\u00e3o saiu do campo sexual e tornou-se \u201ctrat\u00e1vel\u201d no campo psicanal\u00edtico, deixando de ser um perigo para a sociedade.<\/p>\n<p>Como assinalamos acima, Lacan reformulou abordagem freudiana facilitando o acesso do perverso ao tratamento psicanal\u00edtico. O fim da \u201cincurabilidade\u201d para pervers\u00e3o foi de fundamental import\u00e2ncia na tentativa formular melhores perspectivas para o perverso.<\/p>\n<h3>Bibliografia<\/h3>\n<p>Roudinesco, E. &amp; Plon, M. Dicion\u00e1rio de Psican\u00e1lise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1998.<\/p>\n<p>QUEIROZ, Edilene Freire. A Cl\u00ednica da Pervers\u00e3o. S\u00e3o Paulo, Editora Escuta, 2004.<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Dicion\u00e1rio de Psican\u00e1lise. E. Roudinesco &amp; Michael Plon. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, p. 584.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Op. Cit., p. 585.<\/p>\n<p>* Publicado em novembro de 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O termo pervers\u00e3o tornou-se um conceito para a psican\u00e1lise a partir de 1896, quando Sigmund Freud o colocou ao lado da psicose e a neurose. Historicamente a pervers\u00e3o est\u00e1 em um campo bem amplo, pois engloba comportamento, pr\u00e1ticas e fantasias correlacionados \u00e0 norma social. Outro aspecto importante a ser mencionado \u00e9 que a pervers\u00e3o tanto no Ocidente quanto no Oriente, sempre esteve baseada em m\u00faltiplas formas que variaram conforme as \u00e9pocas, culturas, costumes etc. Deste modo, a pervers\u00e3o est\u00e1 associada ao momento hist\u00f3rico e cultural de uma determinada sociedade. No Ocidente, por exemplo, a homossexualidade na Gr\u00e9cia Antiga era vista como algo natural. Com o advento do Cristianismo a pr\u00e1tica passou a ser considerada sat\u00e2nica e no s\u00e9culo XIX, como algo totalmente anormal para o ser humano. No s\u00e9culo XX, em 1974, a homossexualidade foi reconhecida como mais uma forma de sexualidade n\u00e3o figurando no terceiro Manual Diagn\u00f3stico Estat\u00edstico dos Dist\u00farbios Mentais (DSM III) editado em 1987, como parafilias. Para Freud inicialmente, a pervers\u00e3o (homossexualidade) apresentava\u00a0 uma ambival\u00eancia. Como salientam Roudinesco &amp; Plon[1], (&#8230;) a \u201cdisposi\u00e7\u00e3o perverso-polimorfa\u201d ao homem em geral e, com isso, rejeita todas as defini\u00e7\u00f5es diferencialistas e n\u00e3o igualit\u00e1rias da classifica\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica do fim do s\u00e9culo, segundo a qual o perverso seria um \u201ctarado\u201d ou um \u201cdegenerado\u201d, por\u00e9m, por outro, ele conserva a ideia de norma e de um desvio em mat\u00e9ria de sexualidade. (&#8230;) Em 1905, no seu livro Tr\u00eas Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, Freud utiliza o termo \u201cpervers\u00f5es sexuais\u201d e emprega mais frequ\u00eancia o termo \u201cinvers\u00f5es\u201d. Com o passar do tempo Freud iria mudar sua terminologia a partir de novas reflex\u00f5es. Para Freud, a neurose seria o \u201cnegativo da pervers\u00e3o\u201d. Sendo assim, o pai da Psican\u00e1lise apontava para o car\u00e1ter selvagem, polimorfo e pulsional da sexualidade perversa. Ao contr\u00e1rio da sexualidade neur\u00f3tica, a perversa n\u00e3o conhecia o recalque, o incesto e a sublima\u00e7\u00e3o. A falta de limites decorria em virtude do desvio em rela\u00e7\u00e3o a uma puls\u00e3o, uma fonte (\u00f3rg\u00e3o), objeto e alvo. A partir dessas constata\u00e7\u00f5es Freud distinguiu dois tipos de pervers\u00f5es: a de objeto e a de alvo. A partir de 1915, Freud\u00a0 reformulou sua observa\u00e7\u00f5es. Da descri\u00e7\u00e3o das pervers\u00f5es sexuais Freud passou para a organiza\u00e7\u00e3o como um modelo baseado clivagem. Assim, (&#8230;) \u201cAo lado da psicose, definida como a reconstru\u00e7\u00e3o de uma realidade alucinat\u00f3ria, e da neurose, resultante de um conflito interno seguido de recalque, a pervers\u00e3o aparece como uma renega\u00e7\u00e3o ou um desmentido da castra\u00e7\u00e3o, com uma fixa\u00e7\u00e3o na sexualidade infantil\u201d[2]. Jacques Lacan colocou a pervers\u00e3o com uma estrutura, retirando-a do campo do desvio. A abordagem lacaniana introduziu as no\u00e7\u00f5es de desejo e gozo. Deste modo, a pervers\u00e3o seria um componente inerente a psique do homem. Com tal perspectiva, a pervers\u00e3o saiu do campo sexual e tornou-se \u201ctrat\u00e1vel\u201d no campo psicanal\u00edtico, deixando de ser um perigo para a sociedade. Como assinalamos acima, Lacan reformulou abordagem freudiana facilitando o acesso do perverso ao tratamento psicanal\u00edtico. O fim da \u201cincurabilidade\u201d para pervers\u00e3o foi de fundamental import\u00e2ncia na tentativa formular melhores perspectivas para o perverso. Bibliografia Roudinesco, E. &amp; Plon, M. Dicion\u00e1rio de Psican\u00e1lise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1998. QUEIROZ, Edilene Freire. A Cl\u00ednica da Pervers\u00e3o. S\u00e3o Paulo, Editora Escuta, 2004. [1] Dicion\u00e1rio de Psican\u00e1lise. E. Roudinesco &amp; Michael Plon. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, p. 584. [2] Op. Cit., p. 585. * Publicado em novembro de 2010.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":782,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[49,52,54,48],"class_list":["post-781","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-psicanalise","tag-freud","tag-lacan","tag-perversao","tag-psicanalise"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=781"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":783,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/781\/revisions\/783"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}