{"id":1521,"date":"2023-10-06T02:27:50","date_gmt":"2023-10-06T05:27:50","guid":{"rendered":"http:\/\/acesso1pessoal1.hospedagemdesites.ws\/?p=1521"},"modified":"2023-12-04T17:02:02","modified_gmt":"2023-12-04T20:02:02","slug":"le-monde-diplomatique-e-a-hora-de-preparar-o-novo-ciclo-geopolitico-mundial-por-charles-pennaforte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/?p=1521","title":{"rendered":"Le Monde Diplomatique: \u00c9 a hora de preparar o novo ciclo geopol\u00edtico mundial por Charles Pennaforte"},"content":{"rendered":"\n<p>Podemos afirmar que a ideia de que o s\u00e9culo XXI continuar\u00e1 a ser comandado pelos EUA e Europa perdeu o sentido totalmente<\/p>\n\n\n\n<p>Immanuel Wallestein e Giovanni Arrighi trouxeram importantes insights para o campo das rela\u00e7\u00f5es internacionais (<em>O Decl\u00ednio do Poder Americano<\/em>, 2004) e a economia capitalista contempor\u00e2nea (<em>O Longo S\u00e9culo XX<\/em>, 2007; e&nbsp;<em>Adam Smith em Pequim: Origens e Fundamentos do S\u00e9culo XXI<\/em>, 2008). O primeiro abordou, dentre outras coisas, a corros\u00e3o ideol\u00f3gica do poder norte-americano ao longo do tempo, ou seja, a capacidade dos Estados Unidos da Am\u00e9rica serem um exemplo para o chamado \u201cmundo livre\u201d; e o segundo na chegada do fim do Ciclo Sist\u00eamico de Acumula\u00e7\u00e3o dominado atualmente pelos EUA. As rela\u00e7\u00f5es internacionais est\u00e3o passando por essas transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com algumas cr\u00edticas pertinentes \u00e0s abordagens e conclus\u00f5es dos autores, seja pelas v\u00e1rias escolas anal\u00edticas das rela\u00e7\u00f5es internacionais, o fato \u00e9 que o mundo geopol\u00edtico e econ\u00f4mico de hoje n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo do final da Segunda Guerra Mundial e muito menos o herdado do fim da Guerra Fria. Podemos afirmar que a ideia de que o s\u00e9culo XXI continuar\u00e1 a ser comandado pelo EUA e Europa perdeu o sentido totalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o da China como uma grande economia capitalista, investidora global e com projeto geopol\u00edtico pr\u00f3prio ao lado do retorno da R\u00fassia ao&nbsp;<em>chessboard<\/em>&nbsp;nos \u00faltimos anos, demonstram que os EUA e Uni\u00e3o Europeia (o \u201cOcidente\u201d) n\u00e3o est\u00e3o mais no controle da economia e da ideologia mundial ou, mais precisamente, da democracia liberal como um valor absoluto emanado de pa\u00edses comprometidos com Direitos Humanos ou Democracia. John Mearsheimer de algum modo, por exemplo, analisou tal processo (<em>The Great Delusion: Liberal Dreams and International Realities<\/em>, 2018). Mearsheimer (<em><a href=\"https:\/\/unherd.com\/2022\/11\/john-mearsheimer-were-playing-russian-roulette\/\">John Mearsheimer: We\u2019re playing Russian roulette<\/a><\/em>) sofre v\u00e1rias cr\u00edticas por ter feito uma leitura l\u00f3gica, realista e geopol\u00edtica da disputa Otan e R\u00fassia. Um dos poucos analistas que n\u00e3o cederam ao stablishment ideol\u00f3gico b\u00e9lico da Casa Branca. Ali\u00e1s, n\u00e3o nos esque\u00e7amos de Henry Kissinger que tamb\u00e9m viu como uma provoca\u00e7\u00e3o a expans\u00e3o da Otan para leste. Depois mudou de opini\u00e3o (<em><a href=\"https:\/\/unherd.com\/thepost\/henry-kissinger-nato-membership-for-ukraine-is-appropriate\/\">Henry Kissinger: Why I changed my mind about Ukraine<\/a><\/em>) para seguir o mainstream de Washington. Nada mais correto do que manter a sua coer\u00eancia hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Retornando ao nosso argumento, a pr\u00f3pria ideia de um compromisso eficaz dos EUA com os Direitos Humanos ou respeito ao Direito Internacional perde o sentido quando nos lembramos do Iraque, Abu Ghraib e Afeganist\u00e3o para falar dos mais recentes fatos, s\u00e3o os exemplos mais claros de viola\u00e7\u00f5es territoriais e dos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 assinalamos (<em><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/guerra-da-ucrania-um-novo-mundo-multipolar-esta-surgindo\/\">Guerra da Ucr\u00e2nia: um novo mundo multipolar est\u00e1 surgindo<\/a><\/em>), a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia (2014-2022) seria a linha divis\u00f3ria desse novo ciclo geopol\u00edtico de poder que est\u00e1 emergindo. Muito mais do que a invas\u00e3o russa propriamente dita, o fracasso do Ocidente em tentar isolar a R\u00fassia demonstrou que algo mudou completamente. A baixa influ\u00eancia dos EUA e da UE em arregimentar outras na\u00e7\u00f5es para seguir a estrat\u00e9gia de san\u00e7\u00f5es contra Moscou demonstrou que \u00e9 preciso muito mais do que a ret\u00f3rica da viola\u00e7\u00e3o territorial da Ucr\u00e2nia. A aus\u00eancia de legitimidade global da pol\u00edtica de Washington se evidencia quando os pr\u00f3prios EUA mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es privilegiadas com Israel que ocupa ilegalmente a Cisjord\u00e2nia e as Colinas do Golan desde 1967, por exemplo. Al\u00e9m disso, a suposta defesa da democracia como um pilar fundamental de sua pol\u00edtica externa se torna objeto fr\u00e1gil quando se mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas de alto n\u00edvel com a Ar\u00e1bia Saudita ou China, pa\u00edses com hist\u00f3rico de viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas dos Direitos Humanos segundo as organiza\u00e7\u00f5es que fiscalizam o tema ao redor do mundo e sediadas nos pr\u00f3prios EUA e UE.<\/p>\n\n\n\n<p>Matias Spektor, na Foreign Affairs (May\/June 2023), com o artigo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.foreignaffairs.com\/world\/global-south-defense-fence-sitters\"><em>In Defense of the Fence Sitters: What the West Gets Wrong About Hedging<\/em><\/a>&nbsp;analisa as causas do chamado Sul Global n\u00e3o ter embarcado na ado\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es ocidentais contra a R\u00fassia. Trata-se de um bom roteiro para entender o que pode estar acontecendo nas rela\u00e7\u00f5es internacionais e o seu futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro sinal da mudan\u00e7a foi a chegada do Brics englobando pa\u00edses com grande proje\u00e7\u00e3o global em termos econ\u00f4micos e posteriormente a cria\u00e7\u00e3o do Novo Banco de Desenvolvimento como um \u00f3rg\u00e3o efetivo na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao cr\u00e9dito internacional fora do tradicional centro criado no p\u00f3s-guerra como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) ou Banco Mundial. Trata-se de um importante detalhe para esta nova configura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica e econ\u00f4mica, mesmo com as \u00f3bvias assimetrias existentes entre os seus membros fundadores. O pr\u00f3prio poss\u00edvel aumento do Brics para o&nbsp;<em>Brics Plus<\/em>&nbsp;com outros pa\u00edses postulando a entrada no grupo demonstra que algo est\u00e1 fora do tradicional padr\u00e3o que conhecemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cliff Kupchan, chairman do Eurasia Group em artigo no website da Foreign Policy intitulado&nbsp;<a href=\"https:\/\/foreignpolicy.com\/2023\/06\/06\/geopolitics-global-south-middle-powers-swing-states-india-brazil-turkey-indonesia-saudi-arabia-south-africa\/\"><em>6 Swing States Will Decide the Future of Geopolitic<\/em><\/a>, j\u00e1 visualiza que a nova din\u00e2mica geopol\u00edtica est\u00e1 mudando para novos protagonistas como o Brasil, a \u00cdndia, a Indon\u00e9sia, a Ar\u00e1bia Saudita, a \u00c1frica do Sul e a Turquia. Pa\u00edses que n\u00e3o est\u00e3o na esfera de influ\u00eancia direta dos EUA e que deveriam receber mais aten\u00e7\u00e3o de Washington segundo o autor. S\u00e3o na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o apoiaram as san\u00e7\u00f5es promovidas pela UE e EUA contra Moscou e procuraram estabelecer linhas atua\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base nos seus interesses econ\u00f4micos e geopol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra contribui\u00e7\u00e3o importante e coerente face a realidade da disputa geopol\u00edtica entre a Otan e a R\u00fassia \u00e9 o artigo de Samuel Charap,&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.foreignaffairs.com\/ukraine\/unwinnable-war-washington-endgame\">An Unwinnable War Washington Needs an Endgame in Ukraine<\/a><\/em>&nbsp;tamb\u00e9m na Foreign Affairs. A l\u00f3gica de extens\u00e3o de uma guerra em que a R\u00fassia pode at\u00e9 n\u00e3o vencer, mas dificilmente ser\u00e1 derrotada, s\u00f3 serve os interesses (econ\u00f4micos e geopol\u00edticos, por exemplo) dos EUA. Al\u00e9m de aumentar os perigos de uma escalada militar e at\u00e9 mesmo nuclear. Europeus e ucranianos s\u00e3o meros pe\u00f5es dentro da l\u00f3gica de Washington. \u00c9 preciso reconhecer que Moscou ter\u00e1 que ter as reclama\u00e7\u00f5es ouvidas, mais cedo ou mais tarde. Mesmo que o bom senso n\u00e3o encontre eco em Washington, v\u00e1rios analistas j\u00e1 perceberam isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo como base o atual cen\u00e1rio, o mundo est\u00e1 entrando em uma nova fase, que n\u00e3o ter\u00e1 o comando dos EUA e da UE. A\u00ed est\u00e1 o maior problema para europeus e norte-americanos: reconhecer que o seu ciclo de poder est\u00e1 chegando ao fim, por\u00e9m n\u00e3o aceitar esse fim de uma maneira coerente. O que queremos dizer como isso? A manuten\u00e7\u00e3o das mesmas linhas da atua\u00e7\u00e3o da Guerra Fria, ou seja, criando sistematicamente \u201cinimigos comunistas\u201d para arregimentar aliados e mantendo uma linha beligerante na pol\u00edtica externa \u00e9 uma falha grave que n\u00e3o mudar\u00e1 o resultado final: o decl\u00ednio geopol\u00edtico e econ\u00f4mico dos EUA enquanto pot\u00eancia dominante e da Europa como uma regi\u00e3o geopol\u00edtica importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a UE ainda n\u00e3o percebeu que a linha ditada pelos EUA e seguida de maneira cega por Bruxelas promover\u00e1 ainda mais problemas para o bloco. Ali\u00e1s, os resultados j\u00e1 s\u00e3o visualizados. A infla\u00e7\u00e3o e o desemprego s\u00e3o as pontas vis\u00edveis do iceberg que a UE precisa enfrentar. A perda de influ\u00eancia do eixo euro-atl\u00e2ntico \u00e9 irrevers\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O que fazer? \u00c9 a hora de preparar o novo ciclo geopol\u00edtico mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/e-a-hora-de-preparar-o-novo-ciclo-geopolitico-mundial\/\">Veja no site Le Monde Diplomatique Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Podemos afirmar que a ideia de que o s\u00e9culo XXI continuar\u00e1 a ser comandado pelos EUA e Europa perdeu o sentido totalmente Immanuel Wallestein e Giovanni Arrighi trouxeram importantes insights para o campo das rela\u00e7\u00f5es internacionais (O Decl\u00ednio do Poder Americano, 2004) e a economia capitalista contempor\u00e2nea (O Longo S\u00e9culo XX, 2007; e&nbsp;Adam Smith em Pequim: Origens e Fundamentos do S\u00e9culo XXI, 2008). O primeiro abordou, dentre outras coisas, a corros\u00e3o ideol\u00f3gica do poder norte-americano ao longo do tempo, ou seja, a capacidade dos Estados Unidos da Am\u00e9rica serem um exemplo para o chamado \u201cmundo livre\u201d; e o segundo na chegada do fim do Ciclo Sist\u00eamico de Acumula\u00e7\u00e3o dominado atualmente pelos EUA. As rela\u00e7\u00f5es internacionais est\u00e3o passando por essas transforma\u00e7\u00f5es. Mesmo com algumas cr\u00edticas pertinentes \u00e0s abordagens e conclus\u00f5es dos autores, seja pelas v\u00e1rias escolas anal\u00edticas das rela\u00e7\u00f5es internacionais, o fato \u00e9 que o mundo geopol\u00edtico e econ\u00f4mico de hoje n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo do final da Segunda Guerra Mundial e muito menos o herdado do fim da Guerra Fria. Podemos afirmar que a ideia de que o s\u00e9culo XXI continuar\u00e1 a ser comandado pelo EUA e Europa perdeu o sentido totalmente. 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Ali\u00e1s, n\u00e3o nos esque\u00e7amos de Henry Kissinger que tamb\u00e9m viu como uma provoca\u00e7\u00e3o a expans\u00e3o da Otan para leste. Depois mudou de opini\u00e3o (Henry Kissinger: Why I changed my mind about Ukraine) para seguir o mainstream de Washington. Nada mais correto do que manter a sua coer\u00eancia hist\u00f3rica. Retornando ao nosso argumento, a pr\u00f3pria ideia de um compromisso eficaz dos EUA com os Direitos Humanos ou respeito ao Direito Internacional perde o sentido quando nos lembramos do Iraque, Abu Ghraib e Afeganist\u00e3o para falar dos mais recentes fatos, s\u00e3o os exemplos mais claros de viola\u00e7\u00f5es territoriais e dos direitos humanos. Como j\u00e1 assinalamos (Guerra da Ucr\u00e2nia: um novo mundo multipolar est\u00e1 surgindo), a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia (2014-2022) seria a linha divis\u00f3ria desse novo ciclo geopol\u00edtico de poder que est\u00e1 emergindo. 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Outro sinal da mudan\u00e7a foi a chegada do Brics englobando pa\u00edses com grande proje\u00e7\u00e3o global em termos econ\u00f4micos e posteriormente a cria\u00e7\u00e3o do Novo Banco de Desenvolvimento como um \u00f3rg\u00e3o efetivo na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao cr\u00e9dito internacional fora do tradicional centro criado no p\u00f3s-guerra como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) ou Banco Mundial. Trata-se de um importante detalhe para esta nova configura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica e econ\u00f4mica, mesmo com as \u00f3bvias assimetrias existentes entre os seus membros fundadores. O pr\u00f3prio poss\u00edvel aumento do Brics para o&nbsp;Brics Plus&nbsp;com outros pa\u00edses postulando a entrada no grupo demonstra que algo est\u00e1 fora do tradicional padr\u00e3o que conhecemos. Cliff Kupchan, chairman do Eurasia Group em artigo no website da Foreign Policy intitulado&nbsp;6 Swing States Will Decide the Future of Geopolitic, j\u00e1 visualiza que a nova din\u00e2mica geopol\u00edtica est\u00e1 mudando para novos protagonistas como o Brasil, a \u00cdndia, a Indon\u00e9sia, a Ar\u00e1bia Saudita, a \u00c1frica do Sul e a Turquia. Pa\u00edses que n\u00e3o est\u00e3o na esfera de influ\u00eancia direta dos EUA e que deveriam receber mais aten\u00e7\u00e3o de Washington segundo o autor. S\u00e3o na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o apoiaram as san\u00e7\u00f5es promovidas pela UE e EUA contra Moscou e procuraram estabelecer linhas atua\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base nos seus interesses econ\u00f4micos e geopol\u00edticos. Outra contribui\u00e7\u00e3o importante e coerente face a realidade da disputa geopol\u00edtica entre a Otan e a R\u00fassia \u00e9 o artigo de Samuel Charap,&nbsp;An Unwinnable War Washington Needs an Endgame in Ukraine&nbsp;tamb\u00e9m na Foreign Affairs. A l\u00f3gica de extens\u00e3o de uma guerra em que a R\u00fassia pode at\u00e9 n\u00e3o vencer, mas dificilmente ser\u00e1 derrotada, s\u00f3 serve os interesses (econ\u00f4micos e geopol\u00edticos, por exemplo) dos EUA. Al\u00e9m de aumentar os perigos de uma escalada militar e at\u00e9 mesmo nuclear. Europeus e ucranianos s\u00e3o meros pe\u00f5es dentro da l\u00f3gica de Washington. \u00c9 preciso reconhecer que Moscou ter\u00e1 que ter as reclama\u00e7\u00f5es ouvidas, mais cedo ou mais tarde. Mesmo que o bom senso n\u00e3o encontre eco em Washington, v\u00e1rios analistas j\u00e1 perceberam isso. Tendo como base o atual cen\u00e1rio, o mundo est\u00e1 entrando em uma nova fase, que n\u00e3o ter\u00e1 o comando dos EUA e da UE. A\u00ed est\u00e1 o maior problema para europeus e norte-americanos: reconhecer que o seu ciclo de poder est\u00e1 chegando ao fim, por\u00e9m n\u00e3o aceitar esse fim de uma maneira coerente. O que queremos dizer como isso? A manuten\u00e7\u00e3o das mesmas linhas da atua\u00e7\u00e3o da Guerra Fria, ou seja, criando sistematicamente \u201cinimigos comunistas\u201d para arregimentar aliados e mantendo uma linha beligerante na pol\u00edtica externa \u00e9 uma falha grave que n\u00e3o mudar\u00e1 o resultado final: o decl\u00ednio geopol\u00edtico e econ\u00f4mico dos EUA enquanto pot\u00eancia dominante e da Europa como uma regi\u00e3o geopol\u00edtica importante. Por outro lado, a UE ainda n\u00e3o percebeu que a linha ditada pelos EUA e seguida de maneira cega por Bruxelas promover\u00e1 ainda mais problemas para o bloco. 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