{"id":118,"date":"2010-06-11T12:15:20","date_gmt":"2010-06-11T15:15:20","guid":{"rendered":"http:\/\/charlespennaforte.pro.br\/portal\/?p=118"},"modified":"2010-10-16T20:13:08","modified_gmt":"2010-10-16T23:13:08","slug":"correio-braziliense-entrevista-de-charles-pennaforte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/?p=118","title":{"rendered":"Correio Braziliense: entrevista de Charles Pennaforte"},"content":{"rendered":"<p><span><strong>Voto contra as pot\u00eancias na discuss\u00e3o sobre san\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3 firmou a imagem do pa\u00eds como interlocutor confi\u00e1vel e aut\u00f4nomo, avaliam analistas<\/strong><\/span><script type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia182\/2010\/06\/11\/mundo,i=197207\/BRASIL+ENTRA+NO+JOGO.shtml\">http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia182\/2010\/06\/11\/mundo,i=197207\/BRASIL+ENTRA+NO+JOGO.shtml<\/a><\/p>\n<div><span id=\"items_noticia\"><span>Tatiana Sabadini<\/span><\/span><\/div>\n<p><span id=\"items_noticia\"><strong><span>Publica\u00e7\u00e3o:<\/span> <span>11\/06\/2010 09:18<\/span> <span>Atualiza\u00e7\u00e3o:<\/span> <span>11\/06\/2010 10:45<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>Para o Brasil, aproximar-se do Ir\u00e3 poderia representar perdas e ganhos. O pa\u00eds arriscou por n\u00e3o ficar ao lado das grandes pot\u00eancias na vota\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es (1)no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, mas v\u00ea a atitude ser reconhecida como corajosa. Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, foi um sinal de integridade e de afirma\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva como mediador. O di\u00e1logo deve continuar e a diplomacia brasileira vai ter um papel importante nas discuss\u00f5es. A cadeira de membro permanente do conselho continua distante, mas j\u00e1 n\u00e3o parece imposs\u00edvel. Passar para o outro lado pode ter sido a melhor escolha para o pa\u00eds firmar-se de vez no cen\u00e1rio internacional.<\/div>\n<p>De acordo com o diplomata Rubens Ricupero, embaixador do Brasil nos Estados Unidos entre 1991 e 1993, o pa\u00eds fez a escolha certa e preservou a possibilidade de continuar no papel de mediador. \u201cO Brasil n\u00e3o tinha alternativa, da mesma forma que a Turquia, a n\u00e3o ser de discordar das san\u00e7\u00f5es. Do contr\u00e1rio, teria se desmoralizado. O comportamento de nossa representante, a embaixadora Maria Luiza Viotti, foi digno, sem provoca\u00e7\u00f5es. Suas declara\u00e7\u00f5es foram irrefut\u00e1veis, ao lembrar as consequ\u00eancias tr\u00e1gicas das san\u00e7\u00f5es no caso do Iraque\u201d, disse o diplomata ao Correio.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a do Brasil, que geralmente tinha uma tem\u00e1tica reservada \u00e0s grande pot\u00eancias, surpreendeu. \u201cIsso gerou um debate interno, mas o governo brasileiro sempre foi a favor da negocia\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar, e esteve ao lado da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA). Concordo com o ministro Celso Amorim: a partida j\u00e1 estava ganha, mas o Brasil manteve sua postura\u201d, comenta Carlos Eduardo Vidigal, doutor em rela\u00e7\u00f5es internacionais e professor de hist\u00f3ria da Universidade de Bras\u00edlia.<\/p><\/div>\n<div>\n<figure id=\"attachment_119\" aria-describedby=\"caption-attachment-119\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-119\" title=\"Conselho de Seguran\u00e7a\" src=\"http:\/\/charlespennaforte.pro.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/onu.jpg\" alt=\"A embaixadora Maria Luiza Viotti conversa com os colegas turco (de costas) e liban\u00eas durante a sess\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a que votou pelas san\u00e7\u00f5es: interlocutores obrigat\u00f3rios com o Ir\u00e3\" width=\"300\" height=\"233\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-119\" class=\"wp-caption-text\">A embaixadora Maria Luiza Viotti conversa com os colegas turco (de costas) e liban\u00eas durante a sess\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a que votou pelas san\u00e7\u00f5es: interlocutores obrigat\u00f3rios com o Ir\u00e3<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div><strong> <\/strong><\/div>\n<div><strong> <\/strong><\/div>\n<div><strong>O di\u00e1logo entre Lula e o colega iraniano, Mahmud Ahmadinejad, pode ter recebido cr\u00edticas e n\u00e3o ter tido efeito para as grandes pot\u00eancias, mas serviu como afirma\u00e7\u00e3o. \u201cO Brasil conseguiu se projetar mais ainda nos meios internacionais. Muita gente procura levar isso mais para o lado pol\u00edtico interno e v\u00ea apenas o lado negativo. Mas, com a Turquia, conseguimos mostrar que existe oportunidade de negocia\u00e7\u00e3o. Conquistamos conhecimento e um poder de barganha. Todos podem questionar o presidente, mas ele conseguiu construir uma forte credibilidade internacional\u201d, afirma Charles Pennaforte, diretor-geral do Centro de Estudos em Geopol\u00edtica e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/strong><\/div>\n<div><strong> <\/strong><\/div>\n<div><strong>Mesmo depois da posi\u00e7\u00e3o conquistada, o Brasil ainda pode ter dificuldades para mediar uma aproxima\u00e7\u00e3o entre o Ir\u00e3 e as pot\u00eancias. \u201cAcredito que qualquer tipo de acordo n\u00e3o interessa aos Estados Unidos, mesmo se o governo iraniano abrisse m\u00e3o de tudo, o que n\u00e3o vai acontecer. O jogo j\u00e1 estava estabelecido e isso atrapalhou o papel brasileiro no processo de discuss\u00e3o. Infelizmente, Ahmadinejad vai fechar ainda mais o cerco e acredito que em no m\u00e1ximo dois anos ele vai anunciar a capacidade de ter um armamento nuclear\u201d, comenta Pennaforte.<\/strong><\/div>\n<p><strong>Neg\u00f3cios<\/strong><br \/>\nA boa rela\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3 e a imposi\u00e7\u00e3o da quarta rodada de san\u00e7\u00f5es podem render bons neg\u00f3cios para o Brasil. De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, Miguel Jorge, as exporta\u00e7\u00f5es devem aumentar. \u201cV\u00e1rios pa\u00edses devem se retrair com a san\u00e7\u00e3o aplicada pela ONU. Isso abre uma porta de oportunidades para o Brasil\u201d, avaliou Jorge ao participar do programa Bom dia, ministro, da Empresa Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC). O com\u00e9rcio bilateral duplicou nos \u00faltimos sete anos, de US$ 500 milh\u00f5es para US$ 1,23 bilh\u00e3o. O Ir\u00e3 \u00e9 o terceiro maior parceiro comercial do Brasil no Oriente M\u00e9dio, principalmente quando o assunto \u00e9 o setor aliment\u00edcio. Na visita que fez a Teer\u00e3, em maio, Lula anunciou uma linha de financiamento de 1 bilh\u00e3o de euros, nos pr\u00f3ximos cinco anos, para importadores iranianos de produtos brasileiros.<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; \u201cVencedor moral\u201d<\/strong><br \/>\nO assessor especial do presidente Lula para Assuntos Internacionais, Marco Aur\u00e9lio Garcia, viu na vota\u00e7\u00e3o de quarta-feira no Conselho de Seguran\u00e7a o fim do que chamou de \u201cpol\u00edtica do \u2018sim, senhor\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes pot\u00eancias. \u201cAcho que se criou no Brasil a expectativa de que a \u00fanica rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 a do \u2018sim, senhor\u2019, mas n\u00e3o \u00e9 assim\u201d, disse Garcia \u00e0 imprensa em Buenos Aires, onde participou ontem de um semin\u00e1rio sobre globaliza\u00e7\u00e3o. O assessor minimizou o impacto nas rela\u00e7\u00f5es com os EUA, que na sua avalia\u00e7\u00e3o \u201cnunca estiveram t\u00e3o boas\u201d. Mas n\u00e3o deixou de reafirmar a diferen\u00e7a de pontos de vista sobre a crise iraniana, e apontou o Brasil como \u201cvencedor moral\u201d na vota\u00e7\u00e3o que ampliou as san\u00e7\u00f5es a Teer\u00e3. \u201cSe o objetivo disso era frear o programa (nuclear), vai dar exatamente o contr\u00e1rio\u201d, profetizou.<\/p>\n<p><strong>R\u00fassia mant\u00e9m a venda de m\u00edsseis<\/strong><\/p>\n<p>O voto da R\u00fassia a favor de novas san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3 n\u00e3o colocar\u00e1 um fim ao com\u00e9rcio de armas entre os dois pa\u00edses. A venda de sofisticados m\u00edsseis S-300 para o governo iraniano deve ocorrer em breve. N\u00e3o apenas as rela\u00e7\u00f5es comercias devem permanecer intactas. Apesar de exigir explica\u00e7\u00f5es sobre o programa nuclear, as autoridades russas apontaram que a parceria no setor deve continuar.<\/p>\n<p>O ministro russo das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Sergei Lavrov, declarou ontem que, apesar do embargo econ\u00f4mico, Moscou entregar\u00e1 os m\u00edsseis a Teer\u00e3, pois os armamentos n\u00e3o seriam de ataque. \u201cA resolu\u00e7\u00e3o introduz limites \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3 em mat\u00e9ria de armas ofensivas, mas as de defesa n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas\u201d, declarou Lavrov ao visitar o Uzbequist\u00e3o, durante uma reuni\u00e3o de c\u00fapula da Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai (OCS). Cerca de dois anos atr\u00e1s, a R\u00fassia assinou o acordo de armas com os iranianos. No entanto, o neg\u00f3cio nunca foi concretizado na pr\u00e1tica, face \u00e0 press\u00e3o das grandes pot\u00eancias. Existe a cr\u00edtica de que os m\u00edsseis podem melhorar consideravelmente as capacidades de defesa antia\u00e9reas do Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Uma usina at\u00f4mica do governo iraniano est\u00e1 sendo constru\u00edda por especialistas russos em Bushehr, no Golfo P\u00e9rsico, sob a supervis\u00e3o da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AEIA). De acordo com Konstantin Kosachev, presidente do Comit\u00ea de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Parlamento russo, a constru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 inaugurada no fim do m\u00eas de julho, \u201cindependentemente das san\u00e7\u00f5es aplicados ao Ir\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Para outro membro do Parlamento russo, Viktor Ozerov, se as novas medidas afetassem as transa\u00e7\u00f5es comerciais do pa\u00eds, seria preciso se opor \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. \u201cSe o texto das san\u00e7\u00f5es afetarem os interesses da R\u00fassia, ent\u00e3o, como membros permanentes, nos simplesmente vetar\u00edamos a decis\u00e3o\u201d, disse \u00e0 imprensa local.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 promete reagir ao embargo econ\u00f4mico. O primeiro passo \u00e9 reduzir seus v\u00ednculos com a AIEA. \u201cO Parlamento votar\u00e1 no domingo uma lei priorit\u00e1ria que estipula a redu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es com a AIEA\u201d, indicou Esmaeel Kosari, membro do Comit\u00ea de Seguran\u00e7a Nacional e Pol\u00edtica Exterior do Parlamento, \u00e0 ag\u00eancia Fars. Os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o descartam a possibilidade de, no futuro, impor mais san\u00e7\u00f5es unilaterais para o governo iraniano.<\/p>\n<p><strong>ISRAEL NA BERLINDA<\/strong><br \/>\nO embaixador dos Estados Unidos na Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA), Glyn Davies, recha\u00e7ou como \u201cinoportuno e impertinente\u201d o debate sobre o arsenal at\u00f4mico mantido por Israel \u2014 que, embora seja membro da AIEA, n\u00e3o \u00e9 signat\u00e1rio do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o (TNP) de armas nucleares. O tema foi inclu\u00eddo pelos representantes \u00e1rabes na agenda do Conselho de Governadores da ag\u00eancia, que n\u00e3o tratava desde 1991 da alegada exist\u00eancia de cerca de 200 ogivas at\u00f4micas em Israel. A pol\u00edtica oficial do Estado judeu \u00e9 de manter a \u201cambiguidade\u201d: n\u00e3o confirma nem desmente. O embaixador do Sud\u00e3o, Mahmud El-Amim, falando pelo bloco \u00e1rabe, classificou Israel como \u201cum perigo\u201d para a vizinhan\u00e7a. O representante iraniano, Ali Asghar Soltanieh, cobrou dos israelenses \u201cum compromisso internacional com valores morais\u201d.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voto contra as pot\u00eancias na discuss\u00e3o sobre san\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3 firmou a imagem do pa\u00eds como interlocutor confi\u00e1vel e aut\u00f4nomo, avaliam analistas http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia182\/2010\/06\/11\/mundo,i=197207\/BRASIL+ENTRA+NO+JOGO.shtml Tatiana Sabadini Publica\u00e7\u00e3o: 11\/06\/2010 09:18 Atualiza\u00e7\u00e3o: 11\/06\/2010 10:45 Para o Brasil, aproximar-se do Ir\u00e3 poderia representar perdas e ganhos. O pa\u00eds arriscou por n\u00e3o ficar ao lado das grandes pot\u00eancias na vota\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es (1)no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, mas v\u00ea a atitude ser reconhecida como corajosa. Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, foi um sinal de integridade e de afirma\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva como mediador. O di\u00e1logo deve continuar e a diplomacia brasileira vai ter um papel importante nas discuss\u00f5es. A cadeira de membro permanente do conselho continua distante, mas j\u00e1 n\u00e3o parece imposs\u00edvel. Passar para o outro lado pode ter sido a melhor escolha para o pa\u00eds firmar-se de vez no cen\u00e1rio internacional. De acordo com o diplomata Rubens Ricupero, embaixador do Brasil nos Estados Unidos entre 1991 e 1993, o pa\u00eds fez a escolha certa e preservou a possibilidade de continuar no papel de mediador. \u201cO Brasil n\u00e3o tinha alternativa, da mesma forma que a Turquia, a n\u00e3o ser de discordar das san\u00e7\u00f5es. Do contr\u00e1rio, teria se desmoralizado. O comportamento de nossa representante, a embaixadora Maria Luiza Viotti, foi digno, sem provoca\u00e7\u00f5es. Suas declara\u00e7\u00f5es foram irrefut\u00e1veis, ao lembrar as consequ\u00eancias tr\u00e1gicas das san\u00e7\u00f5es no caso do Iraque\u201d, disse o diplomata ao Correio. A mudan\u00e7a do Brasil, que geralmente tinha uma tem\u00e1tica reservada \u00e0s grande pot\u00eancias, surpreendeu. \u201cIsso gerou um debate interno, mas o governo brasileiro sempre foi a favor da negocia\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar, e esteve ao lado da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA). Concordo com o ministro Celso Amorim: a partida j\u00e1 estava ganha, mas o Brasil manteve sua postura\u201d, comenta Carlos Eduardo Vidigal, doutor em rela\u00e7\u00f5es internacionais e professor de hist\u00f3ria da Universidade de Bras\u00edlia. O di\u00e1logo entre Lula e o colega iraniano, Mahmud Ahmadinejad, pode ter recebido cr\u00edticas e n\u00e3o ter tido efeito para as grandes pot\u00eancias, mas serviu como afirma\u00e7\u00e3o. \u201cO Brasil conseguiu se projetar mais ainda nos meios internacionais. Muita gente procura levar isso mais para o lado pol\u00edtico interno e v\u00ea apenas o lado negativo. Mas, com a Turquia, conseguimos mostrar que existe oportunidade de negocia\u00e7\u00e3o. Conquistamos conhecimento e um poder de barganha. Todos podem questionar o presidente, mas ele conseguiu construir uma forte credibilidade internacional\u201d, afirma Charles Pennaforte, diretor-geral do Centro de Estudos em Geopol\u00edtica e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Mesmo depois da posi\u00e7\u00e3o conquistada, o Brasil ainda pode ter dificuldades para mediar uma aproxima\u00e7\u00e3o entre o Ir\u00e3 e as pot\u00eancias. \u201cAcredito que qualquer tipo de acordo n\u00e3o interessa aos Estados Unidos, mesmo se o governo iraniano abrisse m\u00e3o de tudo, o que n\u00e3o vai acontecer. O jogo j\u00e1 estava estabelecido e isso atrapalhou o papel brasileiro no processo de discuss\u00e3o. Infelizmente, Ahmadinejad vai fechar ainda mais o cerco e acredito que em no m\u00e1ximo dois anos ele vai anunciar a capacidade de ter um armamento nuclear\u201d, comenta Pennaforte. Neg\u00f3cios A boa rela\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3 e a imposi\u00e7\u00e3o da quarta rodada de san\u00e7\u00f5es podem render bons neg\u00f3cios para o Brasil. De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, Miguel Jorge, as exporta\u00e7\u00f5es devem aumentar. \u201cV\u00e1rios pa\u00edses devem se retrair com a san\u00e7\u00e3o aplicada pela ONU. Isso abre uma porta de oportunidades para o Brasil\u201d, avaliou Jorge ao participar do programa Bom dia, ministro, da Empresa Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC). O com\u00e9rcio bilateral duplicou nos \u00faltimos sete anos, de US$ 500 milh\u00f5es para US$ 1,23 bilh\u00e3o. O Ir\u00e3 \u00e9 o terceiro maior parceiro comercial do Brasil no Oriente M\u00e9dio, principalmente quando o assunto \u00e9 o setor aliment\u00edcio. Na visita que fez a Teer\u00e3, em maio, Lula anunciou uma linha de financiamento de 1 bilh\u00e3o de euros, nos pr\u00f3ximos cinco anos, para importadores iranianos de produtos brasileiros. 1 &#8211; \u201cVencedor moral\u201d O assessor especial do presidente Lula para Assuntos Internacionais, Marco Aur\u00e9lio Garcia, viu na vota\u00e7\u00e3o de quarta-feira no Conselho de Seguran\u00e7a o fim do que chamou de \u201cpol\u00edtica do \u2018sim, senhor\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes pot\u00eancias. \u201cAcho que se criou no Brasil a expectativa de que a \u00fanica rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 a do \u2018sim, senhor\u2019, mas n\u00e3o \u00e9 assim\u201d, disse Garcia \u00e0 imprensa em Buenos Aires, onde participou ontem de um semin\u00e1rio sobre globaliza\u00e7\u00e3o. O assessor minimizou o impacto nas rela\u00e7\u00f5es com os EUA, que na sua avalia\u00e7\u00e3o \u201cnunca estiveram t\u00e3o boas\u201d. Mas n\u00e3o deixou de reafirmar a diferen\u00e7a de pontos de vista sobre a crise iraniana, e apontou o Brasil como \u201cvencedor moral\u201d na vota\u00e7\u00e3o que ampliou as san\u00e7\u00f5es a Teer\u00e3. \u201cSe o objetivo disso era frear o programa (nuclear), vai dar exatamente o contr\u00e1rio\u201d, profetizou. R\u00fassia mant\u00e9m a venda de m\u00edsseis O voto da R\u00fassia a favor de novas san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3 n\u00e3o colocar\u00e1 um fim ao com\u00e9rcio de armas entre os dois pa\u00edses. A venda de sofisticados m\u00edsseis S-300 para o governo iraniano deve ocorrer em breve. N\u00e3o apenas as rela\u00e7\u00f5es comercias devem permanecer intactas. Apesar de exigir explica\u00e7\u00f5es sobre o programa nuclear, as autoridades russas apontaram que a parceria no setor deve continuar. O ministro russo das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Sergei Lavrov, declarou ontem que, apesar do embargo econ\u00f4mico, Moscou entregar\u00e1 os m\u00edsseis a Teer\u00e3, pois os armamentos n\u00e3o seriam de ataque. \u201cA resolu\u00e7\u00e3o introduz limites \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3 em mat\u00e9ria de armas ofensivas, mas as de defesa n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas\u201d, declarou Lavrov ao visitar o Uzbequist\u00e3o, durante uma reuni\u00e3o de c\u00fapula da Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai (OCS). Cerca de dois anos atr\u00e1s, a R\u00fassia assinou o acordo de armas com os iranianos. No entanto, o neg\u00f3cio nunca foi concretizado na pr\u00e1tica, face \u00e0 press\u00e3o das grandes pot\u00eancias. Existe a cr\u00edtica de que os m\u00edsseis podem melhorar consideravelmente as capacidades de defesa antia\u00e9reas do Ir\u00e3. Uma usina at\u00f4mica do governo iraniano est\u00e1 sendo constru\u00edda por especialistas russos em Bushehr, no Golfo P\u00e9rsico, sob a supervis\u00e3o da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AEIA). De acordo com Konstantin Kosachev, presidente do Comit\u00ea de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Parlamento russo, a constru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 inaugurada no fim do m\u00eas de julho, \u201cindependentemente das san\u00e7\u00f5es aplicados ao Ir\u00e3\u201d. Para outro membro do Parlamento russo, Viktor Ozerov, se as novas medidas afetassem as transa\u00e7\u00f5es comerciais do pa\u00eds, seria preciso se opor \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. \u201cSe o texto das san\u00e7\u00f5es afetarem os interesses da R\u00fassia, ent\u00e3o, como membros permanentes, nos simplesmente vetar\u00edamos a decis\u00e3o\u201d, disse \u00e0 imprensa local. O Ir\u00e3 promete reagir ao embargo econ\u00f4mico. O primeiro passo \u00e9 reduzir seus v\u00ednculos com a AIEA. \u201cO Parlamento votar\u00e1 no domingo uma lei priorit\u00e1ria que estipula a redu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es com a AIEA\u201d, indicou Esmaeel Kosari, membro do Comit\u00ea de Seguran\u00e7a Nacional e Pol\u00edtica Exterior do Parlamento, \u00e0 ag\u00eancia Fars. Os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o descartam a possibilidade de, no futuro, impor mais san\u00e7\u00f5es unilaterais para o governo iraniano. ISRAEL NA BERLINDA O embaixador dos Estados Unidos na Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA), Glyn Davies, recha\u00e7ou como \u201cinoportuno e impertinente\u201d o debate sobre o arsenal at\u00f4mico mantido por Israel \u2014 que, embora seja membro da AIEA, n\u00e3o \u00e9 signat\u00e1rio do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o (TNP) de armas nucleares. O tema foi inclu\u00eddo pelos representantes \u00e1rabes na agenda do Conselho de Governadores da ag\u00eancia, que n\u00e3o tratava desde 1991 da alegada exist\u00eancia de cerca de 200 ogivas at\u00f4micas em Israel. A pol\u00edtica oficial do Estado judeu \u00e9 de manter a \u201cambiguidade\u201d: n\u00e3o confirma nem desmente. O embaixador do Sud\u00e3o, Mahmud El-Amim, falando pelo bloco \u00e1rabe, classificou Israel como \u201cum perigo\u201d para a vizinhan\u00e7a. O representante iraniano, Ali Asghar Soltanieh, cobrou dos israelenses \u201cum compromisso internacional com valores morais\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[14,13,10],"class_list":["post-118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-primeira-pagina","tag-ira","tag-oriente-medio","tag-politica-externa-brasileira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=118"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/118\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":197,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/118\/revisions\/197"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}