{"id":109,"date":"2006-12-15T19:20:33","date_gmt":"2006-12-15T22:20:33","guid":{"rendered":"http:\/\/charlespennaforte.pro.br\/portal\/?p=109"},"modified":"2010-10-16T20:14:13","modified_gmt":"2010-10-16T23:14:13","slug":"entrevista-estado-de-sp-charles-pennaforte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/?p=109","title":{"rendered":"Entrevista Estado de SP: Charles Pennaforte"},"content":{"rendered":"<div id=\"c\">\n<h3>Brasil pode integrar miss\u00e3o de paz da ONU no Sud\u00e3o<\/h3>\n<p>15\/12\/2006<\/p>\n<p>http:\/\/www.estadao.com.br\/arquivo\/mundo\/2006\/not20061215p54143.htm<\/p>\n<p>Pa\u00eds vem se destacando em negocia\u00e7\u00f5es sobre Darfur. Ex\u00e9rcito  garante ter tropas prontas; Itamaraty n\u00e3o nega sondagem, mas diz que n\u00e3o  houve convite formal<\/p><\/div>\n<p>O Brasil foi sondado pelo Department of Peacekeeping Operations (DPKO)  da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e pode utilizar a experi\u00eancia do  Ex\u00e9rcito no Haiti, onde atua desde 2004, e vir a integrar a miss\u00e3o de  paz da ONU para o Sud\u00e3o (UNMIS). A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de um militar  brasileiro, que trabalha h\u00e1 mais de um ano na intelig\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es  Unidas em Cartum, capital sudanesa, e que ajudou na elabora\u00e7\u00e3o dos  acordos de paz na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em encontro com jornalistas em S\u00e3o Paulo, o general Augusto Heleno  Ribeiro, ex-comandante da miss\u00e3o da ONU no pa\u00eds caribenho (Minustah),  defendeu a participa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds em novas miss\u00f5es, afirmando que &#8220;as  tropas brasileiras est\u00e3o muito preparadas para esse tipo de miss\u00e3o&#8221; e  que &#8220;j\u00e1 se fala que o Brasil tem voca\u00e7\u00e3o para ser tropa de paz&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 atualmente 24 militares e quatro civis brasileiros atuando como  observadores da ONU no pa\u00eds africano, sem a participa\u00e7\u00e3o de tropas.  Desde fevereiro de 2003, mil\u00edcias \u00e1rabes apoiadas pelo governo promovem  um conflito \u00e9tnico em Darfur, no oeste sudan\u00eas, que j\u00e1 deixou mais de  2,5 milh\u00f5es de deslocados e 200 mil mortos, o que \u00e9 considerado pelas  Na\u00e7\u00f5es Unidas o primeiro genoc\u00eddio do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Na quarta-feira, o Conselho de Direitos Humanos da organiza\u00e7\u00e3o  decidiu enviar uma miss\u00e3o a Darfur para avaliar a real situa\u00e7\u00e3o do  Sud\u00e3o. O Brasil, que nos \u00faltimos dias v\u00eam resistindo \u00e0s evid\u00eancias  apresentadas pelo alto-comissariado sobre o envolvimento do governo  sudan\u00eas nos massacres, torturas e pris\u00f5es de civis, e se absteve de  votar em uma resolu\u00e7\u00e3o que condenava o governo, declarou-se &#8220;satisfeito&#8221;  com a nova decis\u00e3o, assegurando que teve um papel importante para se  alcan\u00e7ar esse consenso.<\/p>\n<p>O primeiro contingente brasileiro para Darfur, com no m\u00ednimo 30  homens, seria de Goi\u00e1s, acredita o brasileiro que est\u00e1 no Sud\u00e3o e foi  ouvido pelo Portal Estad\u00e3o.com.br. Mas, diz ele, depende muito da  situa\u00e7\u00e3o dos efetivos de Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro,  que j\u00e1 integraram a Minustah.<\/p>\n<p>O Itamaraty diz que n\u00e3o pode negar que tenha havido alguma  especula\u00e7\u00e3o para que o Brasil participe da miss\u00e3o, mas que ainda n\u00e3o  recebeu um convite formal para integr\u00e1-la. O diplomata F\u00e1bio Frederico,  da assessoria de imprensa do Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, informa  que o pr\u00f3prio ministro Celso Amorim j\u00e1 foi questionado sobre esta  possibilidade, e que disse na ocasi\u00e3o acreditar que \u00eanfase do Pa\u00eds deva  ser a miss\u00e3o de paz no Haiti, comandada pelo Brasil, e para a qual,  segundo o Itamaraty, n\u00e3o h\u00e1 um plano de retirada.<\/p>\n<p>De acordo com o Centro de Comunica\u00e7\u00e3o Social do Ex\u00e9rcito (Cecomsex),  poderia vir a integrar uma nova miss\u00e3o de paz o 19\u00ba Batalh\u00e3o de  Infantaria Motorizado de S\u00e3o Leopoldo (RS) que tem permanentemente cerca  de 1,2 mil homens direcionados para este tipo de a\u00e7\u00e3o. O Brasil  participa atualmente de miss\u00f5es de paz em nove pa\u00edses do mundo,  incluindo tropas no Haiti e no Timor Leste.<\/p>\n<p>Segundo o militar brasileiro no Sud\u00e3o, apesar de haver &#8220;vontade&#8221; do  minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores em participar, algumas quest\u00f5es  t\u00e9cnicas impediriam o envio de tropas \u00e0 \u00c1frica, como a necessidade de  novos uniformes devido ao calor (a capital sudanesa \u00e9 considerada a mais  quente do mundo) e a aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos adequados ao deserto.  Entre outros fatores que poderiam contar contra a participa\u00e7\u00e3o  brasileira, aponta este militar, est\u00e3o a experi\u00eancia negativa do Haiti  junto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica brasileira e o alto risco de morte de capacetes  azuis, &#8220;pois na \u00c1frica o conflito \u00e9 tribal e h\u00e1 amplo desrespeito aos  direitos humanos&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter havido uma consulta formal, o Ex\u00e9rcito brasileiro  garante estar pronto para integrar mais uma miss\u00e3o de paz. O comandante  do Ex\u00e9rcito brasileiro, general Francisco Roberto de Albuquerque, em  entrevista a jornalistas durante a formatura de 2,8 mil soldados em  Taubat\u00e9 (SP) em agosto, afirmou que &#8220;a credibilidade do Ex\u00e9rcito  brasileiro \u00e9 t\u00e3o grande no mundo&#8221; que o comandante das For\u00e7as Armadas  dos Estados Unidos lhe disse que as tropas brasileiras s\u00e3o &#8220;excelentes&#8221; e  que &#8220;est\u00e3o prontas para atuarem em qualquer pa\u00eds&#8221;. &#8220;Os soldados  brasileiros n\u00e3o s\u00e3o soldados de bir\u00f4, n\u00e3o s\u00e3o soldados s\u00f3 de formatura,  s\u00e3o soldados de a\u00e7\u00e3o, resultado e vontade, soldados que querem morrer  pelo Brasil e t\u00eam de estar prontos para qualquer tipo de a\u00e7\u00e3o. O  brasileiro \u00e9 um homem multidisciplinar e pronto para qualquer miss\u00e3o a  ser cumprida&#8221;, afirmou ele.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, cogitava-se a poss\u00edvel participa\u00e7\u00e3o de tropas brasileiras  na miss\u00e3o de paz da ONU para o L\u00edbano. Especialistas ouvidos pelo Portal  Estad\u00e3o acreditam que o envio de tropas ao L\u00edbano n\u00e3o se formalizou,  dentre outros motivos, por ser uma decis\u00e3o pol\u00edtica, que necessita da  aprova\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, o que era dif\u00edcil de ocorrer em um  per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nEspecialistas criticam<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEspecialistas acreditam que n\u00e3o seria ben\u00e9fico para o Brasil  integrar a miss\u00e3o de paz para Darfur e que as especula\u00e7\u00f5es sobre o  assunto devem-se ao fato do Brasil estar em uma &#8220;busca desenfreada por  um assento permanente no Conselho de Seguran\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Gilberto Sarfati, mestre pela Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m e  doutor em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP),  diz que &#8220;o risco de uma opera\u00e7\u00e3o militar em Darfur \u00e9 alt\u00edssimo&#8221;, tanto  do ponto de vista militar quanto pol\u00edtico, e que &#8220;este seria o \u00faltimo  lugar do planeta &#8211; at\u00e9 mesmo o L\u00edbano seria melhor &#8211; para onde eu  mandaria um contingente significativo, aceit\u00e1vel para manter a  candidatura ao Conselho de Seguran\u00e7a &#8220;. Ele entende que &#8220;um fracasso  poderia minar o apoio de outros pa\u00edses \u00e0 candidatura brasileira,  internamente e externamente&#8221;.<\/p>\n<p>Sarfati lembra o hist\u00f3rico de fracassos da ONU na \u00c1frica, como as  miss\u00f5es na Som\u00e1lia em 1992, Ruanda em 1994 e Serra Leoa, em 2000. &#8220;Ou  seja, n\u00e3o j\u00e1 raz\u00f5es para acreditar que Darfur ser\u00e1 mais f\u00e1cil, ao  contr\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Doutor em ci\u00eancia pol\u00edtica e ex-assessor do minist\u00e9rio da Defesa  entre 2001 e 2002, al\u00e9m de coordenador da gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o  do curso de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Funda\u00e7\u00e3o Armando \u00c1lvares Penteado  (Faap), Gunther Rudzit n\u00e3o acredita na poss\u00edvel participa\u00e7\u00e3o  brasileira, pois acha muito dif\u00edcil os militares brasileiros aceitarem.  &#8220;N\u00f3s mal estamos dando conta do Haiti, que \u00e9 muito menor e com problemas  muito menores. Por mais que o governo e os militares neguem, a coisa no  Caribe est\u00e1 fora do controle, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de estabiliza\u00e7\u00e3o daquele  pa\u00eds. Segundo, que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o no or\u00e7amento para outra miss\u00e3o. Ent\u00e3o,  acho dif\u00edcil n\u00f3s nos atolarmos no Sud\u00e3o. Ainda bem&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p><strong>Se a inten\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 conquistar um assento no Conselho de  Seguran\u00e7a, o envio de tropas ao Sud\u00e3o se justifica. Essa \u00e9 a vis\u00e3o de  Charles Pennaforte, mestre em geografia pela Universidade de Havana e  diretor do Centro de Estudos em Geopol\u00edtica e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais  (Cenegri), com sede no Rio de Janeiro.  Para ele, a atua\u00e7\u00e3o brasileira  em miss\u00f5es de paz \u00e9 uma forma aumentar o seu espectro de influ\u00eancia na  dire\u00e7\u00e3o deste objetivo. Ele questiona, por\u00e9m, o \u00f4nus pol\u00edtico da  participa\u00e7\u00e3o, &#8220;j\u00e1 que ao participar destas miss\u00f5es aumenta a  possibilidade de mortes e atritos de toda ordem com os sudaneses&#8221;.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil pode integrar miss\u00e3o de paz da ONU no Sud\u00e3o 15\/12\/2006 http:\/\/www.estadao.com.br\/arquivo\/mundo\/2006\/not20061215p54143.htm Pa\u00eds vem se destacando em negocia\u00e7\u00f5es sobre Darfur. Ex\u00e9rcito garante ter tropas prontas; Itamaraty n\u00e3o nega sondagem, mas diz que n\u00e3o houve convite formal O Brasil foi sondado pelo Department of Peacekeeping Operations (DPKO) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e pode utilizar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[16,18,10],"class_list":["post-109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-primeira-pagina","tag-america-latina","tag-charles-pennaforte","tag-politica-externa-brasileira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=109"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":201,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/109\/revisions\/201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/charlespennaforte.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}