Estado brasileiro: criado pelas elites e para a elites

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Conhecer a história do Brasil é de fundamental importância para termos a noção do que ocorre no presente e  o que poderá ocorrer no futuro.
A “criação” do Brasil enquanto Nação foi feita de acordo com os interesses das elites dominantes desde 1500. O povo (a população) nunca fez parte do projeto político de construção do País como protagonista.

Foram poucos, muitos poucos os que se dedicaram a lutar por uma país mais justo e equilibrado. Joaquim Nabuco, por exemplo, deixou inegável obra apontando as mazelas do Brasil e e a herança nefasta das escravidão. E a sua atualidade é assustadora.

Apesar dos avanços inegáveis que o Brasil conheceu nos últimos dez anos ainda persistem problemas estruturais. E não se tratam dos “velhos problemas”  da Educação, Infraestrutura etc.  Os verdadeiros problemas são o sistema financeiro que sangra os cofres públicos  e os recursos da Nação e os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) que são os maiores empecilhos para o desenvolvimento do país. E o pior de tudo é que nenhum partido político ou a sociedade (classe média) quer alterar isso apesar de reclamar de ser “enganada”.

O primeiro porque estão atrelados à lógica financeira global e recolhem dos cofres públicos bilhões de reais via juros e o segundo porque sustenta uma casta que pouco acrescenta ao Brasil. Não produz nada, absolutamente nada.

Em um país capitalista de verdade esses setores seriam muitos menores. Trata-se de uma casta ao melhor estilo indiano que “legisla” em causa própria. Chega-se ao absurdo de propor o valor de seu próprio salário. Enquanto um trabalhador que promove o crescimento da riqueza do Brasil ganha mais ou menos 800 reais por mês essa casta pode chegar a ganhar mais de 30 mil reais por mês. Fora os “benefícios”.

Vale lembrar que não defendo o “Estado mínimo”  neoliberal.  O que defendo é um “Estado Público” e não o atual Estado que se mantém ligado aos interesses das elites  brasileiras e das classes médias que conseguiram “abocanhar” uma pedaço da fatia do “bolo”.

 

Joaquim Nabuco (1849-1910)
Joaquim Nabuco (1849-1910), um dos maiores críticos da escravidão e da herança escravagista brasileira

 

Por isso é importante conhecer a história. O Setor Público foi “criado” com a finalidade distribuir favores para os amigos do poder no Brasil em uma época que a cada 10 brasileiros somente 1 era alfabetizado. Mestiços, mulatos, negros, brancos pobres etc., nunca poderiam chegar perto do setor público destinado aos “doutores”, amigos do Rei e/ou Imperador etc. O Estado brasileiro foi feito pela e para a elites luso-brasileiras escravocratas e parasitárias.

Em 1877 o Brasil tinha 5,4 funcionários públicos para cada mil habitantes. os EUA tinham 2,4 (José Murilo de Carvalho) . Em 1899, 70% das despesa do governo brasileiro  era com o pagamento  do “funcionalismo”. Não havia hospital público, escolas, etc., ou qualquer coisa que justificasse tal gasto. Aliás, tinha: sustentar uma camarilha parasitária e hematófaga.

 

D. João VI e a cerimônia do "Beija-Mão"
D. João VI e a cerimônia do “Beija-Mão”. A tradição da subserviência veio de Portugal

 

O visconde de Ouro Preto (Império) dizia que: “Esta moléstia [funcionalismo público] – endêmica no Brasil – é um dos grande males”. O senador cearense Liberato de Castro Ferreira (Império), afirmou o “funcionalismo é um cancro que devora e aniquila as forças do país, prejudicial não só no aumento das despesas, como pela desorganização do serviço”.

Isso só viria a melhorar com a Constituição de 1988 (isso quase 100 anos depois da proclamação da República!) quando tornou obrigatório o Concurso Público para o acesso ao serviço público. Antes era: “Me arruma um emprego aí”… Um bom padrinho era tudo. Por isso a expressão popular “Quem tem padrinho não morre pagão” fazia todo sentido…

Logicamente a “raia miúda” do setor público nos dias de hoje trabalha muito, muito mesmo.  Inclusive os baixos salários e a  falta de condições dignas de trabalho são explicadas pela prioridade dada ao pagamento de altos salários para os “iluminados” do funcionalismo. Uma cidade pode ficar sem médicos, mas os Vereadores nunca ficam sem receber os seus salários.

Não há dúvida de que o “Estado é para os Ricos”. Aumentar o próprio salário descaradamente acima do padrão ético e moral de um país pobre e/ou criar “benefícios” para sua “casta” etc., é uma vergonha.

E não há passeatas contra o Judiciário, Legislativo ou Executivo. Mas 80 reais para os miseráveis provocam o surgimento de milhares de “revoltados”. Um Estado que durante séculos manteve milhões de pessoas como miseráveis para enriquecer os já milionários escravocratas não pode inverter a ordem. É o famoso “tem que ensinar a pescar”… Mas o Estado pode dar bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado, por exemplo, para os filhos das castas superiores. Contra isso não há repúdio.

Lamentavelmente os mais “indignados” são os “escravos de dentro”. Aqueles que foram chamados pelos Senhores a serví-los dentro da Casa Grande.  Esses escravos viviam em melhores condições. Vestiam-se melhor, comiam melhor. Mas continuavam escravos…

É a Senzala ao lado da Casa Grande.

Com pessoas “formadas” que não estudam e não conhecem a história do Brasil continuaremos como nos tempos imemoriais…. pobres de espírito.

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