O que está em jogo na Venezuela


A perda do carismático líder Hugo Chávez facilita a nova tentativa da direita venezuelana de  tomar  o poder via o tradicional método utilizado pelas elites latino-americanas: o golpe de Estado. Na América Latina a associação golpe de Estado e EUA é praticamente um binômio matemático. As elites latino-americanas não possuem o ânimo necessário para implementar tal projeto sem a anuência e o apoio dos EUA.

A Democracia sempre foi uma mera palavra vazia no dicionário da Ciência Política. Quem hoje defende a “democracia” para a Venezuela apoiou golpes sanguinários, no mínimo no Brasil. Os EUA violam os direitos humanos elementares de seus próprios cidadãos que são incriminados e condenados por origem, cor de pele etc.  A prisão iraquiana de Abu Ghrab é o maior símbolo da barbárie que daria inveja aos nazistas. Mas como são os EUA, a mídia brasileira tão preocupada com democracia e direitos humanos nunca fez um suplemento especial na Folha  ou um Globo Repórter sobre o tema.

O novo mantra dos “democratas” é que não há Democracia na Venezuela. Mas as eleições ocorrem o tempo todo, inclusive com vitórias apertadas. Nicolás Maduro venceu com uma diferença de menos de 1% e com fiscalização internacional.  Há quem interessa a desmoralização do processo democrático venezuelano? Às elites que assim ficam livres para voltar ao poder em associação com Washington e  promover o seu conluio de forma mais tranquila. A direita venezuelana deve oferecer propostas concretas para o país e para a população pobre. Não a fome e a miséria anterior. Não o desprezo.

O segundo mantra dos “democratas” é que não há “liberdade de imprensa” na Venezuela ou que ela “está sob ataque”. Mas eu pergunto: onde há liberdade de imprensa? Nos EUA? No Brasil? As notícias refletem diretamente a opinião do dono da empresa e os seus interesses econômicos. A cobertura de inúmeros assuntos são nitidamente direcionados favoravelmente  aos setores que recebem apoio da mídia e o tratamento é oposto quando são “inimigos”. Isso é “liberdade de imprensa”? Somente as pessoas muito ingênuas acreditam nisso.

Instabilidade social: velha tática golpista

Na Venezuela e na Argentina (em todos os lugares), a “imprensa” atua com sustentáculo dos grupos econômicos nacionais e internacionais para a manutenção dos seus interesses. E quando tais interesses são contrariados a imprensa usa o seu poder para atacar o governo até conseguir os seus objetivos: desmoralização, pânico, instabilidade e derrubada do governo que foi eleito democraticamente.

O fato é  que a imprensa acredita ser  o Quarto Poder. Acredita ser o poder “fiscalizador” e que pode “corrigir” os erros dos governos eleitos pela maioria. Contra os seus interesses econômico, é claro. Para atingir os seu objetivos incentiva a derrubada de governos. Tudo isso é “democrático”. Nicolás Maduro ter sido sido eleito pela maioria não é democrático.

Na verdade as velhas elites venezuelanas que se locupletaram das riquezas nacionais em associação com Washington, durante décadas não aceitaram a perda de seus antigos privilégios até hoje. Privilégios que colocaram ao longo do século XX milhões de venezuelanos na miséria absoluta e por outro, uma  classe média em situação inversa: um padrão de vida by american way of life.

Sob a Revolução Bolivariana tais erros foram corrigidos: a massa miserável ascendeu socialmente ao mesmo tempo em que as elites e a classe média foram chamadas a “contribuir” na recuperação do erro histórico.  Os moradores das favelas venezuelanas viram pela primeira um médico e um professor na vida.  As elites nunca se preocuparam com isso. Mas não há o que discutir: os indicadores sociais são muito melhores do que os brasileiros e a violência urbana que hoje impera na Venezuela não é tão maior em relação a que existe no Brasil.

Logicamente, a Venezuela tem problemas estruturais que deveriam e dever ser sanados. Contudo a sabotagem permanente dos setores empresariais e a denúncia sistemática deste fato por Chávez, não diminuiriam com Maduro. O desabastecimento, inclusive, é a tática utilizada para criar o ambiente de insatisfação.  A mídia “livre” não menciona isso.

A Venezuela dever defendida a todo custo. O que está em jogo é mais um suspiro da direita que não aceita perder o seus privilégios. Os reflexos podem ser perigosos no longo prazo.

 

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