Pelo monopólio da morte


A grande preocupação do Ocidente é o monopólio da morte. Todos os países são perigosos, mas somente os EUA ousaram jogar duas bombas sobres seres humanos indefesos.

A pretensa bomba de hidrogênio detonada pela Coreia do Norte no dia 06/01/2015 expõe uma preocupação clássica das grandes potências: a manutenção do monopólio das armas de destruição em massa. Se a preocupação anterior era o artefato nuclear, os norte-coreanos deram um salto qualitativo caso realmente seja uma bomba H.

A postura Pyongyang, em nossa opinião, decorre da Doutrina Bush (“A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos”) em 2002 que criou o chamado “Eixo do Mal” (Irã, Líbia, Iraque, Síria e Cuba). As invasões ao Afeganistão e ao Iraque assinalaram que o então governo de George W. Bush iria tentar destruir o pretenso “Eixo”. O Iraque foi o principal símbolo.

Desde então, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram os seus programas nucleares para tentar obter alguma vantagem com o Ocidente (EUA), como por exemplo, não serem atacados. O Irã por estar situado em uma região de interesse estratégico para Washington e ser um rival importante de Israel, sofreu uma pressão mais acentuada. Teerã sempre definiu o seu programa nuclear  como “pacífico” ao contrário do norte-coreanos que vem realizando testes com bomba.

 

Sobre a possibilidade de “perigo” de outros país  terem bombas para própria defesa, algumas indagações são importantes. Qual país ousou jogar uma bomba nuclear sobre civis indefesos? Qual país ousou jogar duas bombas nucleares sobre civis indefesos? Na verdade o maior perigo para o mundo é Washington que rompeu essa barreira ética e moral. Não existem motivos que possam ter justificado os ataques a Hiroshima e Nagasaki.

 

Por outro lado indianos e paquistaneses  por estarem na órbita de influência ocidental não despertam tanta preocupação aos EUA. A existência de artefatos nucleares, químicos e biológicos em Israel (oficialmente não existe nada que comprove), mas que é perfeitamente plausível pela posição geopolítica e dos inimigos declarados (Síria e Irã) é devidamente ocultado pela mídia ocidental.

O direito a possuir um programa nuclear é um desejo soberano para qualquer país. Seja para fins bélicos ou pacíficos. Logicamente  quando um país constrói uma bomba nuclear para fins pacíficos soa estranho. Mas não é isso que os EUA fazem desde o fim Guerra Fria? Por que não reduzir em 80% os arsenais nucleares para depois exterminá-los? Qual o interesse em manter tais armas em um cenário de paz capitalista? A potência não pensa assim.

A despeito da condenação internacional e até de aliados como a China,  a situação pouco muda. Mais embargos? O ar vai ser retirado  dos norte-coreanos? Não há o que fazer, pois Pyongyang não está preocupada com sanções de qualquer espécie. Isso está claro. Agora, uma sinalização de que os EUA não vao tentar derrubar o regime seria uma boa saída. Aliás, a única.

 

Soldado sul-coreano passa por uma tela de televisão em estação ferroviária em Seul enquanto a Coreia do Norte anuncia ter feito teste com bomba de hidrogênio

Soldado sul-coreano passa por uma tela de televisão em estação ferroviária em Seul enquanto a Coreia do Norte anuncia ter feito teste com bomba de hidrogênio

 

Sobre a possibilidade de “perigo” de outros países  terem bombas para própria defesa, algumas indagações são importantes. Qual país ousou jogar uma bomba nuclear sobre civis indefesos? Qual país ousou jogar duas bombas nucleares sobre civis indefesos? Na verdade o maior perigo para o mundo é Washington que rompeu essa barreira ética e moral. Não existem motivos que possam ter justificado os ataques a Hiroshima e Nagasaki.

 

A despeito da condenação internacional e até de aliados como a China pouco muda. Mais embargos? O ar vai ser retirado  dos norte-coreanos? Não há o que fazer, pois Pyongyang não está preocupada com sanções de qualquer espécie. Isso está claro. Agora, uma sinalização de que os EUA não tentar derrubar o regime seria uma boa saída. Aliás, a única.

 

A questão central da discussão é: por que alguns países podem dominar a tecnologia nuclear (para fins pacífico ou bélicos) e outros não? Segurança? Não existe maior ameaça para a humanidade do que os EUA possuírem o domínio da fissão nuclear e das outras formas de destruição em massa.

Mas tais perguntas nunca são feitas ou comentadas por jornalistas ou acadêmicos. Isso demonstra claramente que o objetivos deles é distribuir uma visão que não condiz com a realidade e  que vai ao encontro dos interesses nacionais dos seus próprios países.

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